Psicologia clínica: o que é, como funciona e quando procurar um psicólogo
A psicologia clínica não é só para quem está muito mal. Ajuda a perceber o que se passa e a mudar o que pesa, em qualquer idade. Saiba o que faz um psicólogo clínico, como é a primeira consulta, como funciona o acompanhamento e quando faz sentido marcar.
Dra. Gizela Silva · Psicóloga · CP n.º 30963 · ERS E175678Publicado a
Há meses que dorme mal. A paciência acaba mais depressa, em casa e no trabalho, e a cabeça não desliga ao fim do dia. Pensa em falar com um psicólogo, mas aparece a dúvida de sempre: «será que é grave o suficiente?»
É uma dúvida que trava muita gente. Segundo o estudo epidemiológico nacional de saúde mental, citado pela Entidade Reguladora da Saúde, cerca de 23 em cada 100 portugueses tinham um problema de saúde mental ao longo de um ano. Entre os que tinham um quadro moderado, cerca de 65% não recorreram a nenhum cuidado de saúde mental nesse período.
O que é a psicologia clínica?
É a área da psicologia que avalia e acompanha o sofrimento psicológico e as dificuldades emocionais e de comportamento, em qualquer idade.
A Associação Americana de Psicologia descreve-a como a área que presta cuidados de saúde mental contínuos a pessoas, casais e famílias, ao longo de toda a vida. Na prática, junta três coisas: perceber o que se passa, que é a avaliação; ajudar a mudar o que pesa, que é a intervenção; e prevenir que volte a pesar.
Não é só para quem tem uma doença diagnosticada. Muitas pessoas chegam com uma fase difícil, uma decisão por tomar, uma perda ou uma sensação difusa de que algo não está bem.
Psicólogo ou psiquiatra: qual a diferença?
O psiquiatra é médico e pode receitar medicação. O psicólogo não receita: trabalha com a conversa, a avaliação e técnicas psicológicas.
Muitas vezes, os dois trabalham em conjunto. O médico decide sobre a medicação, o psicólogo acompanha a pessoa em consulta e, com a autorização dela, os dois trocam a informação necessária.
Em Portugal, só pode usar o título de psicólogo e exercer a profissão quem está inscrito na Ordem dos Psicólogos Portugueses, com cédula profissional. Já psicoterapeuta não é uma profissão regulada, como a própria Ordem lembra num parecer de 2023. Antes de marcar, vale a pena confirmar a cédula.
Em que situações a psicologia clínica pode ajudar?
Em situações muito diferentes, em todas as idades:
· Ansiedade, ataques de pânico e fobias. · Tristeza que se arrasta, desânimo e depressão. · Luto, separação e outras perdas. · Stress e esgotamento, no trabalho ou em quem cuida de outra pessoa. · Fases de mudança, como a saída dos filhos de casa, a reforma ou a mudança de país. · Viver com uma doença crónica, ou com a de alguém próximo. · Dificuldades de atenção, de aprendizagem ou de desenvolvimento, em crianças e em adultos.
Não é preciso saber dar nome ao problema antes da consulta. Perceber o que se passa já faz parte do trabalho.
É preciso estar muito mal para ir ao psicólogo?
Não.
Ninguém tem de chegar ao limite para marcar consulta. Uma primeira conversa pode servir apenas para perceber se há motivo para acompanhamento, e às vezes a resposta é que não há.
Também não é sinal de fraqueza. Ir ao psicólogo por um mal-estar que não passa é tão razoável como ir ao médico de família por uma dor que não passa.
Como é a primeira consulta de psicologia?
É sobretudo uma conversa.
Fala-se do que levou à consulta, de há quanto tempo acontece, do que já foi tentado e de como está a vida no geral: o sono, o trabalho, a família, a saúde. O psicólogo pode pedir pormenores, mas é a pessoa que decide o que partilha, e ao seu ritmo.
No fim, combina-se o passo seguinte: um acompanhamento, uma avaliação mais completa, a articulação com o médico ou apenas orientação.
O que é dito em consulta é confidencial. O Código Deontológico da Ordem dos Psicólogos só admite exceções muito concretas, como uma situação de perigo grave para a própria pessoa ou para outros.
Como funciona o acompanhamento psicológico?
Com consultas regulares e objetivos combinados.
A frequência e a duração dependem do que se está a trabalhar e são revistas ao longo do processo. Há várias abordagens, como a terapia cognitivo-comportamental, escolhidas consoante o problema e a pessoa.
A relação com o psicólogo conta. Uma meta-análise publicada em 2018, com 295 estudos e mais de 30 mil pessoas, encontrou melhores resultados quando havia uma boa aliança entre a pessoa e o terapeuta, isto é, confiança e acordo sobre os objetivos e o caminho. É uma associação, não uma garantia, mas explica porque é importante a pessoa sentir-se à vontade.
Quando é precisa uma avaliação psicológica?
Quando há uma pergunta concreta a responder.
Por exemplo, se as dificuldades de atenção de um adulto podem ser PHDA, se uma criança está no espetro do autismo ou porque é que a aprendizagem não acompanha a dos colegas.
A avaliação junta entrevista, questionários e provas validadas, e termina num relatório, explicado à pessoa ou à família. Serve para decidir o que fazer a seguir, e não para pôr um rótulo.
Quando procurar um psicólogo?
Vale a pena marcar consulta quando aparece uma destas situações:
· O mal-estar dura há semanas e não melhora. · O sono ou a energia mudaram sem uma razão clara. · Começa a evitar pessoas, sítios ou tarefas que antes fazia sem esforço. · O trabalho, a relação ou a família estão a ressentir-se. · Uma perda ou uma mudança grande deixou tudo fora do lugar. · Alguém próximo já sugeriu, mais do que uma vez, que procure ajuda.
Quando os sintomas são muito intensos ou pode ser necessária medicação, o médico de família ou o psiquiatra devem fazer parte do processo.
Se surgirem pensamentos de morte ou de fazer mal a si próprio, o contacto não deve esperar. A linha SNS 24 (808 24 24 24) dá orientação a qualquer hora e, em perigo imediato, o número é o 112.
Na consulta · Dra. Gizela Silva
As consultas de psicologia clínica são realizadas pela psicóloga Dra. Gizela Silva, CP n.º 30963 · ERS E175678, na Av. dos Descobrimentos 1193I, sala E6, em Vila Nova de Gaia, a poucos minutos do Porto, e também online, por videochamada, a partir de qualquer ponto do país.
Acompanha adultos e idosos, em situações como a ansiedade, a depressão, o luto, o stress e o esgotamento, a reforma ou a adaptação a uma doença crónica; mulheres na gravidez, no pós-parto e na menopausa; e crianças e adolescentes, com avaliação e acompanhamento do neurodesenvolvimento.
Cada acompanhamento começa pela escuta e pela história da pessoa. A partir daí define-se o que avaliar e como intervir, sempre de forma individual. As avaliações têm, em regra, entre cinco e oito sessões e terminam com a entrega e a explicação de um relatório. A avaliação da atenção por realidade virtual é feita presencialmente, em Gaia.
A marcação é feita por WhatsApp, telefone ou email, sem encaminhamento médico, e pode ser pedida por um familiar, por exemplo um filho que procura apoio para o pai ou a mãe. Quem não sabe por onde começar pode responder ao questionário de orientação do site. Quando há medicação, o acompanhamento articula-se com o médico de família ou com o psiquiatra.
Fontes
American Psychological Association, Clinical Psychology, página institucional.
Batastini AB e colaboradores, Are videoconferenced mental and behavioral health services just as good as in-person? A meta-analysis of a fast-growing practice, Clinical Psychology Review, 2021, 83, 101944.
Entidade Reguladora da Saúde, Acesso e Qualidade nos Cuidados de Saúde Mental, 2015, a partir de Caldas de Almeida JM e Xavier M, Estudo Epidemiológico Nacional de Saúde Mental, 2013.
Flückiger C e colaboradores, The alliance in adult psychotherapy: a meta-analytic synthesis, Psychotherapy, 2018, 55(4).
Ordem dos Médicos, Colégio da Especialidade de Psiquiatria, tomada de posição sobre o projeto de regulamento do ato do psicólogo, 2019.
Ordem dos Psicólogos Portugueses, Código Deontológico, Regulamento n.º 898/2024.
Ordem dos Psicólogos Portugueses, Parecer OPP sobre Psicoterapia, 2023.
Ordem dos Psicólogos Portugueses, Regulamento de Inscrição, Regulamento n.º 899/2024.
Perguntas frequentes
Dúvidas comuns
A consulta de psicologia é confidencial?
Sim. O Código Deontológico da Ordem dos Psicólogos Portugueses obriga o psicólogo a proteger a privacidade e a confidencialidade da informação. As exceções são limitadas, como uma situação de perigo grave para a pessoa ou para terceiros.
As consultas de psicologia podem ser online?
Sim. Uma meta-análise publicada em 2021, com 57 estudos, encontrou resultados em grande parte equivalentes entre as consultas de saúde mental por videochamada e as presenciais. As avaliações que exigem equipamento, como a realidade virtual, mantêm-se presenciais.
Psicologia clínica é o mesmo que psicoterapia?
Não exatamente. A psicoterapia é uma das formas de intervenção do psicólogo clínico, ao lado da avaliação e da prevenção. Em Portugal, psicólogo é uma profissão regulada, com inscrição obrigatória na Ordem; psicoterapeuta não é.
Preciso de encaminhamento do médico de família?
Não. A consulta de psicologia pode ser marcada diretamente. Se já houver acompanhamento médico ou medicação, isso é falado na primeira consulta.
Um filho pode marcar consulta para o pai ou a mãe?
Sim. O primeiro contacto pode ser feito por um familiar. A consulta é com a própria pessoa, que participa nas decisões, e o familiar pode estar presente quando ela quiser.
Quanto tempo dura um acompanhamento psicológico?
Não há um número fixo. A frequência e a duração são definidas caso a caso, a partir da primeira consulta, e revistas ao longo do processo.
Este conteúdo tem carácter informativo e não substitui uma avaliação psicológica. Cada acompanhamento e o respetivo plano são definidos individualmente, em conjunto com a profissional. As decisões sobre medicação cabem ao médico que acompanha a pessoa.
Está a pensar marcar uma primeira consulta?
As consultas de psicologia são realizadas em Vila Nova de Gaia e online, em Portugal. Para marcar uma consulta ou esclarecer uma dúvida, entre em contacto. WhatsApp +351 963 740 792 · Av. dos Descobrimentos 1193I, sala E6, Vila Nova de Gaia.